Uma artista incompreendida

A máquina

Quem me dera poder apagar-te do meu cérebro tal como se apaga um simples ficheiro no computador. O problema está que ainda posso recuperá-lo e não quero. Até sinto o estrago que fizeste que nem o antivírus mais eficaz tinha efeito. Sei que vais ficar num disco externo guardado eternamente porque por mais que quisesse apagar não conseguia. Os danos foram enormes e marcaram tanto que já nem tenho mais forças para lutar contra aquilo que sinto. Estremeço por dentro como um terramoto quando te vejo nas pastas que tenho e sim com receio de que faças algo. É uma das sensações mais estranhas é como se tivesse finalmente chegado a ti mas depois foges novamente e não consigo descobrir a origem. Por que tiveste medo? Por que não lutaste ainda mais? Por que fugiste? Pergunto-me eu todos os dias desde que entraste nesta máquina que era menos frágil antes de tu chegares. Agora a fragilidade está lá e vai ser um processo longo até arranjar novamente as peças e metê-las no sitio certo. Tentei sim, com um antivírus novo mas sem sucesso, revelou-se fraco e sem a capacidade suficiente que tanto desejava para te combater. Ironia do destino que até nesse antivírus eu via os teus fragmentos, tão lucidamente que nem que bebesse o vinho mais forte deixaria de te ver. Acho que a ideia de te eliminar desta maneira não vai dar resultado portanto a melhor coisa seria comprar uma máquina nova. Peças novas, tudo novo para me acompanhar novamente numa maratona de diretas noturnas. Será que irá resultar?

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